Tumulares são entidades espirituais irracionais, resultantes de processos incompletos ou tecnicamente falhos de reanimação dos mortos. Não constituem uma espécie biológica nem um tipo estável de não-vida, sendo melhor descritos como fenômenos necromânticos residuais.
Em diversas regiões de Terra Brasilis, recebem o nome popular de Assombras, embora o termo seja impreciso e utilizado para outras entidades sombrias não relacionadas.
Do ponto de vista acadêmico, os tumulares são classificados como criaturas amaldiçoadas de ancoragem funerária, cuja existência depende da manutenção de um vínculo instável entre corpo, resíduo anímico e energia necromântica.
A formação de um tumular ocorre exclusivamente após intervenções imperfeitas de um mago necromante. Quando um cadáver é reanimado sem que o ritual de ligação entre corpo e alma seja corretamente concluído, seja por interrupção, erro técnico ou incompetência do conjurador, a alma não retorna plenamente ao corpo nem se liberta para o repouso pós-morte.
Nesse estado intermediário, o espirito fragmenta-se, perdendo coesão e tornando-se parcialmente integrada à estrutura necromântica que sustenta o cadáver. Esse processo gera um ciclo permanente de decomposição espiritual, acompanhado por impulsos agressivos e comportamento predatório desprovido de racionalidade.
Vale destacar, porém, que nem toda reanimação falha resulta em um tumular. Estudos da Academia Aruanan indicam que apenas tendem a desenvolver essa condição os indivíduos com elevada vulnerabilidade espiritual causada por traumas, vínculos emocionais intensos ou instabilidade anímica prévia.

Morfologia e aparência
Fisicamente, os tumulares apresentam corpos em estado variável de decomposição, geralmente parcial. A condição dos tecidos depende do tempo transcorrido desde a morte, do ambiente de ancoragem e da intensidade da energia necromântica envolvida.
Características recorrentes incluem:
- pele necrosada ou ressecada;
- movimentos rígidos e irregulares;
- força física desproporcional ao estado aparente do corpo;
- olhos com luminescência verde espectral, fenômeno associado à instabilidade energética interna.
Não há sinais de regeneração orgânica. Pelo contrário, a deterioração física é contínua, ainda que retardada pela permanência em áreas de alta concentração de energia funerária.
Tumulares não demonstram linguagem articulada, capacidade de planejamento complexo ou consciência de sua identidade anterior. Seu comportamento é predominantemente instintivo, orientado pela busca por fontes de energia vital.
Observações de campo indicam, contudo, que fragmentos residuais de memória podem influenciar padrões de deslocamento. Alguns tumulares permanecem próximos a seus túmulos originais ou retornam repetidamente a locais associados à sua vida pregressa, ainda que sem reconhecimento consciente.
Alimentação e impacto fisiológico
A alimentação dos tumulares baseia-se exclusivamente na drenagem de energia vital. Eles não consomem carne, sangue ou matéria orgânica. O ataque ocorre por contato físico direto e prolongado, durante o qual a criatura extrai a essência vital da vítima. Os efeitos observados incluem:
- colapso físico imediato;
- palidez extrema;
- perda de foco ocular;
- falência progressiva das funções orgânicas.
Dessa forma, registros de sobreviventes são raros. Nos poucos casos documentados, as vítimas não recuperaram plenamente sua vitalidade e faleceram poucos dias depois, em decorrência de esgotamento energético irreversível.
Por fim, Tumulares dependem de âncoras funerárias para manter sua coesão. A maioria permanece vinculada ao próprio túmulo ou a cemitérios próximos. O afastamento prolongado desses locais acelera a degradação do corpo, levando à desintegração completa.
Cemitérios antigos, abandonados ou negligenciados apresentam maior incidência dessas entidades, especialmente quando os rituais funerários foram interrompidos ou realizados de forma inadequada; houve profanação de sepulturas; práticas necromânticas ocorreram sem purificação posterior.

Métodos de contenção e erradicação
A erradicação definitiva de um tumular exige a conclusão correta do ritual funerário original, em um processo complexo, que envolve:
- Identificação do falecido;
- Invocação ritual do nome verdadeiro;
- Purificação da sepultura com substâncias consagradas;
- Execução da oração de liberação apropriada.
Na maioria dos casos, esse procedimento é inviável, pois a identidade do morto foi perdida ou o túmulo foi destruído. Nessas situações, as medidas paliativas incluem o uso de objetos consagrados, que podem repelir temporariamente a criatura, e a exposição à luz solar, que reduz significativamente sua atividade. Nenhuma dessas abordagens, contudo, elimina o tumular de forma permanente.
À luz de todas essas informações, Tumulares devem ser compreendidos como indicadores diretos de atividade Necromancial, além de extrema negligência ritual, abuso ou impassibilidade técnica. Sua presença sinaliza falhas éticas, mágicas e sociais relacionadas ao tratamento dos mortos.
Estudos comparativos demonstram que quanto maior o abandono de um espaço funerário, maior a estabilidade e a agressividade dessas entidades.
Assim, os tumulares não representam apenas uma ameaça física, mas um sintoma estrutural das distorções produzidas pelo uso irresponsável da Necromancia em nosso continente.
